Este estudo analisa a apresentação dos números reais em livros didáticos de matemática do ensino secundário do sistema educacional peruano publicados entre 1961 e 1999. São examinadas a introdução dos números irracionais, a definição de número real, os registros ostensivos e as praxeologias associadas por meio da Teoria Antropológica do Didático. O corpus foi constituído por 25 livros organizados em dois períodos: Tradicional e Matemática Moderna. Os resultados mostram que ambos os períodos privilegiam definições operacionais e representações visuais centradas na classificação e na intuição geométrica, em detrimento da fundamentação teórica do contínuo real. Identifica-se um desacoplamento entre práxis e logos, no qual as tarefas e técnicas não se articulam com tecnologias e teorias que justifiquem a estrutura dos números reais. Conclui-se que é necessário fortalecer a relação entre visualização, justificação e formalização no ensino dos números reais.
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